Comitê interministerial apresenta plano de mudanças climáticas

28 09 2008

Medidas serão todas voluntárias, tanto para o governo quanto para o setor produtivo

Sônia Campos, Brasília (DF) | reportagem@canalrural.com.br

A versão prévia do Plano Nacional de Mudança Climática foi apresentada nesta quinta, dia 25, pelos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. As medidas serão todas voluntárias, tanto para o governo quanto para o setor produtivo. O documento passará por consulta pública antes de ser enviado à sanção presidencial.
O documento detalha as ações que o Brasil adotará nas áreas de redução dos gases do efeito estufa, adaptação à mudança climática, pesquisa e capacitação. A partir de segunda-feira o público tem até o dia 31 de outubro para sugerir mudanças. Entre os objetivos está reduzir 10% do mercado de energia no Brasil em 2030; dobrar as áreas de florestas plantadas no país de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares até 2015; recuperar 100 milhões de hectares de pastos degradados e reduzir gradativamente a queima da palha da cana-de-açúcar.
Os biocombustíveis têm um capítulo à parte. O objetivo do plano é o aumento médio anual da produção de etanol de 11% nos próximos anos. O que significa passar a produção de 25,6 bilhões para 53,2 bilhões de litros em 2017. E ainda o texto prevê que em 10 anos, 10 milhões de refrigeradores antigos sejam substituídos. A medida traria um ganho energético e a redução da emissão de CFC, conhecido como gás de geladeira.
O texto prevê que os recursos financeiros para alcançar as metas viriam por meio de incentivos fiscais para iniciativas sustentáveis e ampliação de linhas de financiamento. Mas grande parte das ações para a redução dos gases do efeito estufa seriam financiadas pela iniciativa privada.
Fonte: http://www.clicrbs.com.br/canalrural/




Aquecimento global… cada vez pior

17 04 2008

“O nível do mar em todo o mundo tem subido constantemente nos últimos 80 anos. Isso é o que se sabe. Agora, um novo estudo aponta que o impacto do derretimento de geleiras é ainda pior do que se suspeitava. A pesquisa foi atrás de um indicador que não se havia levado em conta: o volume de água represada artificialmente. O resultado indica para uma influência ainda maior do aquecimento global no derretimento polar. O estudo foi publicado dia 13/3 no site da revista Science.

A elevação total no nível do mar no último século se deveu principalmente à combinação da expansão em volume da água nos oceanos e do derretimento de gelo em glaciares na Antártica e na Groenlândia, os dois fatores promovidos pelo aquecimento global.

Subtrair o efeito da expansão termal do aumento observável no nível do mar deveria dar uma boa estimativa da taxa de derretimento do gelo, mas essa equação deixa de fora um fator importante: a quantidade de água aprisionada em reservatórios. O novo estudo fecha essa lacuna.

Benjamin Chao e colegas da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade Central Nacional de Taiwan fizeram uma extensa análise do aprisionamento de água promovido pelo homem. Os cientistas calcularam o volume de água represado artificialmente desde 1900, em quase 30 mil reservatórios com capacidade nominal conhecida.

O resultado é o impressionante total de 10,8 mil quilômetros cúbicos, suficientes para reduzir a magnitude do nível global do mar em 3 centímetros.

Nos últimos 50 anos, pós-Segunda Guerra Mundial, quando aumentou grandemente o número de reservatórios, o estudo calculou a diminuição no nível global do mar em uma média de 0,55 milímetro por ano – estima-se que o aumento no nível global do mar tenha sido de cerca de 18 centímetros no século 20.

A conclusão é simples: se os reservatórios baixaram o nível do mar, a elevação promovida pelo derretimento de gelo no planeta foi maior do que se imaginava. Ou seja, o impacto do aquecimento global tem uma relevância ainda maior.

O artigo Impact of artificial reservoir water impoundment on global sea level, de Benjamin Chao e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.”

Agência FAPESP

Leia mais sobre aquecimento globla neste blog:
Trajetoria das Emissoes Globais de CO2 de Combustiveis Fosseis





Trajetória das emissões globais de CO2 de combustíveis fósseis

29 01 2008

Sim, os cientistas erraram nas previsões de aquecimento global! A coisa é bem pior do que se imaginava. Eles subestimaram a desgraça. A figura abaixo, retirada do material disponível no site do Global Carbon Project, mostra o gráfico da trajetória das emissões globais de CO2 originado de combustíveis fósseis, juntamente com as estimativas do IPCC.

Trajetória das emissões globais de combustiveis fosseis

Nesse gráfico, as linhas coloridas (A1F1, A1B, …, B1, B2) representam cenários estabelecidos pelo IPCC (website oficial). Nesse caso, o cenário A1F1(linha vermelha) representa o pior deles, supondo uma emissão intensa de combustíveis fósseis nos próximos anos. Esse cenário, estabelecido em 2000, é considerado catastrófico e sensacionalista por alguns, já que suas estimativas consideraram as piores possibilidades em relação às emissões de CO2. Entretanto, as medições posteriores das emissões de gás carbônico mostram que a realidade é bem pior do que se imaginava. Realmente os cientistas erraram nas previsões, mas erraram pra baixo. As últimas medições são representadas no gráfico pelos dois círculos pretos preenchidos de vermelho. Traçando uma reta através dos pontos das três últimas medições (uma extrapolação talvez até otimista, já que poderíamos supor um aumento exponencial ao invés de linear) podemos ver que, o que nos aguarda no futuro é muito mais catastrófico e do que se dizia. Ao lado do gráfico podemos ver as taxas de crescimento da concentração de carbono na atmosfera. O pior cenário (A1F1) estimava uma taxa de crescimento de 2,71% por ano, de 2000 a 2010. Os dados observados, no entanto, mostram que de 2000 a 2006 essa taxa foi de 3,3% por ano. Dá pra ver claramente que a coisa vai ficar feia. Mas por que os cientistas subestimaram as emissões? Qual a causa desse maior crescimento nas taxas de emissões de CO2? Os cientistas também investigaram essas causas, mas isso fica de assunto para um outro post.





Aquecimento Global

2 12 2007

O aquecimento global é o tema científico do momento. A freqüência com que esse assunto aparece na mídia é grande, e o debate sobre o futuro do planeta está bastante aflorado na sociedade. O que se vê e ouve é que o aquecimento global é um fato, e que há um consenso entre cientistas de que esse aquecimento é causado pelo homem. De fato, a conclusão dos cientistas do IPCC é de que o aquecimento é devido ao aumento da concentração dos gases de efeito estufa provocado pelo homem, especialmente o CO2. E é nesse ponto que alguns cientistas discordam dos cientistas do IPCC. Segundo os céticos, todos os cientistas do IPCC estão errados em afirmar que o aquecimento global é de origem antropogênica. O argumento desses cientistas é de que esse aquecimento é um fenômeno natural, e que já ocorreu anteriormente na história do nosso planeta, devido basicamente a variabilidade da radiação solar.

O planeta realmente sofre, de tempos em tempos, mudanças na sua temperatura devido a fenômenos naturais. O sol realmente tem influência no aquecimento atual do planeta, porém, ele contribui apenas para uma pequena fração do aquecimento total atual. É no mínimo ingênuo acreditar que as alterações brutais e em escala global que a humanidade vêm provocando no planeta não produzem nenhum efeito no sistema climático. Achar que as milhares de toneladas de gás carbônico que emitimos constantemente para a atmosfera não faz nenhuma diferença para o equilíbrio planeta (mesmo sendo comprovadamente esse gás um causador de efeito estufa) é uma idiotice.

Os resultados das pesquisas científicas apontam claramente as ações do homem como a principal causa do aquecimento global. As conseqüências desse aquecimento, não precisamos de pesquisa para ver. Estão aí, na nossa cara., só não vê quem não quer.

Nos próximos posts vou tentar mostrar, de forma clara e acessível, alguns trabalhos científicos relacionados ao aquecimento do planeta e às emissões de gases de efeito estufa.

Por enquanto, fiquem com os trabalhos do Dahmer:

Os Malvados, por Andre Dahmer