Deseja algo que alivie? Então vá. Mame no seio da superstição.

16 04 2008

O que você faria se descobrisse que pode viver outras vidas, nesse mesmo planeta, porém com um início diferente, com outras possibilidades, diferentes oportunidades, e diferentes coincidências? Não seria incrível, cada um de nós ter um eterno direito ao erro, ao acerto, à redenção? Imagine, infinitas vidas, infinitas possibilidades de realizações, infinitas chances de recomeço. Não seria maravilhoso?

Ou seria terrível viver com essa certeza? Não seria como viver em um vídeo-game, com várias vidas, várias chances de continuar, simples, fácil, humano; como um vídeo-game?

Realmente, é reconfortante imaginar que todos os sofrimentos injustos desta vida serão recompensadas em uma outra. Sonhar que teremos a vida que sempre desejamos e “merecemos” (e que talvez nunca tenhamos , de fato, lutado para conquistar, para realizar). Mas tal sistema, no entanto, não seria o mais indulgente e benevolente com o ser humano, de todos os já supostos? Não seria essa a mais auto-piedosa das crenças, disfarçada de lógica, inteligência, evolução e superioridade?

Acreditar em outras chances de vidas talvez seja tão perigoso quanto fascinante. Se conformar com as situações indesejadas, adiar as realizações e experiências para a próxima etapa, estagnar na evolução pessoal a espera de uma oportunidade mais favorável ou justa – isso sim, deve ser merecedor do “inferno”.

Quer uma outra hipótese (apenas mais uma hipótese), talvez menos complacente com os erros dos homens, porém mais segura, mesmo no caso de se provar errada no Final?

Romanesco broccoli, fractal A sua Vida é única, é agora, e é um mero acaso do universo, uma mera possibilidade que aconteceu, em meio a um infinito de possibilidades. As chances de realizações nela também são infinitas. Vivemos mergulhados num oceano de possibilidades, e às vezes as ondas estão a nosso favor e nos levam para o destino que “queremos“, às vezes elas nos jogam para trás, às vezes nos empurram para o fundo. Mas no final, para onde você vai depende de uma única coisa: da sua reação. Quase tudo na vida depende de como você reage ao mundo, e de como você percebe e recebe as possibilidades, boas ou ruins, que se materializam constantemente ao seu redor. E cada reação, cada pensamento e cada imaginação influenciam os novos eventos que ocorrerão, as novas possibilidades que se concretizarão, simplesmente porque influenciam sua própria mente. As possibilidades estão borbulhando à sua volta, e a sua postura e atitude em relação à vida dirão quais deixarão de ser apenas possibilidades, quais serão vistas ou ignoradas, quais serão absorvidas ou rejeitadas. Imaginou?

Isso coloca quase toda a responsabilidade das nossas vidas nas nossas próprias mãos. Uma grande responsabilidade. À vezes frustrante, mas não menos frustrante do que imaginar nossas vidas nas mãos de super-humanos, e sendo julgadas ou conduzidas por coisas ou regras pseudo-superiores que nem mesmo conhecemos.

Essa hipótese também não explica todo o mecanismo por trás dela, nem as leis que regem todo o sistema. Mas essa é apenas uma hipótese, e os dados e experiências observados não permitem ir tão fundo na toca do coelho. Para mim, tentar ir além disso não seria mais do que elaborar uma estória de ficção, pelo menos por enquanto.

Encare sua insignificância, admita o nada que você é. Deixe de ser um ser infantil, e faça o bem não em troca de uma recompensa divina, mas porque tem consciência do bem que o bem te faz. Deixe de fazer o mal não por medo de uma punição dEle, o super Homem, mas por você mesmo. Viva por viver, pelo prazer, pelo sabor de realizar e conquistar coisas. Não espere a próxima chance, que você sequer sabe se irá existir. E se no final ela existir, ótimo. Você aproveitou esta aqui da melhor maneira possível, sem culpa, e acreditando apenas no que toda a informação que lhe é fornecida permite acreditar.


Créditos do post: Música Wasted Years, Filme Quando Nietzsche Chorou, o próprio Nietzsche, e mais um “inexplicável” lapso momentâneo da minha razão.





Humanidade, Destino, Paris By Night

19 03 2008

A humanidade realmente é impressionante, com seus grandes feitos, seus horrores, sua lógica às vezes ilógica, o capitalismo injusto (ou não), a civilização moderna em que ela , ou parte dela, se tornou. Apesar de todos os defeitos desse mundo, as coisas, bem ou mal, funcionam: todos os dias as pessoas desempenham seus papéis e fazem seus trabalhos, recursos são extraídos, produzidos ou transformados, a tecnologia avança cada vez mais, as sociedades aprendem e se modificam lenta e constantemente. E tudo isso impulsionado por uma quantidade incrivelmente grande de energia, gerada constantemente. A humanidade se desenvolve, mesmo aos trancos e barrancos, mesmo que o indivíduo muitas vezes não se desenvolva, mesmo que o indivíduo talvez passe toda sua existência sem avançar, sem sair do lugar. Ou ainda que ele regrida, intelectualmente, moralmente e socialmente. Mesmo assim, o conjunto se desenvolve. É um sistema fantástico, porque mesmo com suas partes funcionando mal, ou conflitando umas com as outras, o sistema caminha para frente. Pelo menos é o que me parece, e pelo menos por enquanto.

Esse é o tipo de sistema que eu gostaria de construir – aconteça o que acontecer, seja lá o que for que der errado, o “programa” cumpre seu papel, busca atingir o objetivo para o qual foi programado. Na verdade é exatamente assim que se esperaria que fosse um sistema projetado e codificado pelo Analista. A impressão que tenho é que nós, como indivíduos, temos realmente o tal livre arbítrio, e podemos fazer o que quisermos com nossa thread de vida. O sistema como um todo, no entanto, caminha invariavelmente para o destino que lhe foi programado, o sistema evolui, sabe-se lá até onde ou quando. E nesse caso, pensando no coletivo, no sistema, será que realmente temos a chance de escolha? Será que, mesmo o indivíduo tendo o controle sobre seu caminho, a humanidade também o tem?

Post inspirado pela música Why, de Joe Satriani e pela imagem de Paris, abaixo (linkada para alta resolução). Imagens noturnas de grandes cidades sempre me fazem viajar, e imaginar cada vida que está acontecendo nesse mar de luzes, num movimento constante. E músicas do Joe sempre me empolgam, me deixam confiante. Talvez por isso um post tão otimista em relação à humanidade. E talvez por minha incompetência em escrever esse post não diga nada com nada =)





In a world of magnets and miracles

25 02 2008

” A música voltou a tocar, a tocar minha mente, a disparar meu coração, a deprimir minha alma. E nessa depressão eu implodo minha prisão, a prisão de felicidade, paz, estagnação. A depressão cala o Melhor em mim, e abre espaço para o Pior renascer. O Pior que ama o mundo e tudo que há nele. Aquele Pior que sentia o vento da madrugada enquanto observava, da varanda, a rua silenciosa e seus postes de luzes fracas, e que viajava na melodia dos passos solitários e distantes. Aquele Pior que se deliciava com o balançar da velha árvore, que parecia também sentir o vento como ele.

Agora eu volto a ver as imagens que ninguém vê, a sentir as sensações que o vento provoca e que ninguém jamais sentiu, a ouvir a Música por trás dos sons e das músicas. Eu quase havia me esquecido de como era a sensação, como era sentir a vida assim, sentir esse mundo. Respirar o ar, se sentir sozinho mesmo no meio de uma multidão, sentir saudade de momentos que ainda não viveu, sentir falta de todos que ainda não se foram, e dos que ainda nem vieram. Sentir o coração não cabendo dentro do peito, a falta de ar, o êxtase, tudo isso provocado por uma simples brisa fresca, ou por um som de guitarra, ou pelo silêncio da madrugada fria.

Estou com medo de encontrar meu antigo eu. Medo que o antigo destrua o novo. Existem coisas que eu não suportaria perder. E se o velho destruir o novo? E se não sobrar nada de Melhor? Mas eu também não posso e não quero evitar isso. Eu quero tentar, sempre. Talvez o Melhor se una ao Pior. Talvez seja possível não ser nem um nem outro, ou ser um e outro, ao mesmo tempo. Ou talvez a música simplesmente acabe.”