O que você faria se descobrisse que pode viver outras vidas, nesse mesmo planeta, porém com um início diferente, com outras possibilidades, diferentes oportunidades, e diferentes coincidências? Não seria incrível, cada um de nós ter um eterno direito ao erro, ao acerto, à redenção? Imagine, infinitas vidas, infinitas possibilidades de realizações, infinitas chances de recomeço. Não seria maravilhoso?
Ou seria terrível viver com essa certeza? Não seria como viver em um vídeo-game, com várias vidas, várias chances de continuar, simples, fácil, humano; como um vídeo-game?
Realmente, é reconfortante imaginar que todos os sofrimentos injustos desta vida serão recompensadas em uma outra. Sonhar que teremos a vida que sempre desejamos e “merecemos” (e que talvez nunca tenhamos , de fato, lutado para conquistar, para realizar). Mas tal sistema, no entanto, não seria o mais indulgente e benevolente com o ser humano, de todos os já supostos? Não seria essa a mais auto-piedosa das crenças, disfarçada de lógica, inteligência, evolução e superioridade?
Acreditar em outras chances de vidas talvez seja tão perigoso quanto fascinante. Se conformar com as situações indesejadas, adiar as realizações e experiências para a próxima etapa, estagnar na evolução pessoal a espera de uma oportunidade mais favorável ou justa – isso sim, deve ser merecedor do “inferno”.
Quer uma outra hipótese (apenas mais uma hipótese), talvez menos complacente com os erros dos homens, porém mais segura, mesmo no caso de se provar errada no Final?
A sua Vida é única, é agora, e é um mero acaso do universo, uma mera possibilidade que aconteceu, em meio a um infinito de possibilidades. As chances de realizações nela também são infinitas. Vivemos mergulhados num oceano de possibilidades, e às vezes as ondas estão a nosso favor e nos levam para o destino que “queremos“, às vezes elas nos jogam para trás, às vezes nos empurram para o fundo. Mas no final, para onde você vai depende de uma única coisa: da sua reação. Quase tudo na vida depende de como você reage ao mundo, e de como você percebe e recebe as possibilidades, boas ou ruins, que se materializam constantemente ao seu redor. E cada reação, cada pensamento e cada imaginação influenciam os novos eventos que ocorrerão, as novas possibilidades que se concretizarão, simplesmente porque influenciam sua própria mente. As possibilidades estão borbulhando à sua volta, e a sua postura e atitude em relação à vida dirão quais deixarão de ser apenas possibilidades, quais serão vistas ou ignoradas, quais serão absorvidas ou rejeitadas. Imaginou?
Isso coloca quase toda a responsabilidade das nossas vidas nas nossas próprias mãos. Uma grande responsabilidade. À vezes frustrante, mas não menos frustrante do que imaginar nossas vidas nas mãos de super-humanos, e sendo julgadas ou conduzidas por coisas ou regras pseudo-superiores que nem mesmo conhecemos.
Essa hipótese também não explica todo o mecanismo por trás dela, nem as leis que regem todo o sistema. Mas essa é apenas uma hipótese, e os dados e experiências observados não permitem ir tão fundo na toca do coelho. Para mim, tentar ir além disso não seria mais do que elaborar uma estória de ficção, pelo menos por enquanto.
Encare sua insignificância, admita o nada que você é. Deixe de ser um ser infantil, e faça o bem não em troca de uma recompensa divina, mas porque tem consciência do bem que o bem te faz. Deixe de fazer o mal não por medo de uma punição dEle, o super Homem, mas por você mesmo. Viva por viver, pelo prazer, pelo sabor de realizar e conquistar coisas. Não espere a próxima chance, que você sequer sabe se irá existir. E se no final ela existir, ótimo. Você aproveitou esta aqui da melhor maneira possível, sem culpa, e acreditando apenas no que toda a informação que lhe é fornecida permite acreditar.
Créditos do post: Música Wasted Years, Filme Quando Nietzsche Chorou, o próprio Nietzsche, e mais um “inexplicável” lapso momentâneo da minha razão.





caro amigo, são em reflexões assim que nos pegamos pensando o quão é rápido e insignificante nossas vidas…abraço