Eternamente insatisfeito

9 11 2007

“Quando Deus criou o primeiro homem, da atual humanidade, representado por Adão, proibiu-lhe comesse o fruto da árvore da noção do bem e do mal. Tendo-o desobedecido, por indução de Eva, o homem incorreu em pecado e, expulso do seu lar natal, foi condenado a conquistar o sustento com o suor do seu rosto. Mais do que o castigo do trabalho, que lhe seria, afinal, maravilhoso instrumento de progresso e aprimoramento espiritual, ficou como um estigma do homem a inquirição permanente e angustiante de sua mente, vivificada pela árvore da vida, cujo fruto comera. Assim, à fome de alimentos, que era necessário satisfazer, juntou-se a sede de conhecimentos, mais atenazante, mais premente, mais angustiosa, porque é a única que mantém o homem na sua dignidade de filho de Deus.”

Torrieri Guimarães. Trecho do prefácio do livro O Castelo, de Franz Kafka.


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