Nunca foi tão barato respirar

19 11 2007

É impressionante como os bancos enriquecem as custas do nosso suado dinheiro, e ninguém faz nada. E ainda dizem que a livre concorrência funciona nesse caso, e que nós, os clientes/consumidores, temos a opção de escolha. Primeiro, não temos a opção de viver sem utilizar os serviços dos bancos,e não é uma opção deixar de consumir seus serviços. Hoje em dia, até pra respirar temos que possuir uma conta-corrente! Segundo, parece que os bancos não concorrem uns com os outros em relação às taxas. Eu pelo menos nunca vi uma propaganda de um banco que dizia não cobrar algumas taxas, ou que possuía taxas mais baratas, ou qualquer coisa relacionada a menos cobrança. Me parece óbvio que deveria haver alguma regulação do governo nesse caso, já que atualmente os serviços bancários são serviços de primeira necessidade, indispensáveis, assim como a energia elétrica, tratamento de água, telefonia e etc. O fato é que nossas instituições ainda são fracas, e o enorme poder político dos bancos (poder financeiro = poder político, pelo menos nessa nossa “democracia” capitalista) os mantém intocados. E nós, os menos favorecidos financeiramente, como sempre, somos os mais prejudicados.

Em homenagem às sufocantes taxas bancárias, e também aos publicitários que, com seu trabalho e ética, contribuem para tornar a sociedade cada vez melhor, eu ilustro este post com uma ótima tirinha dos Malvados.





Eternamente insatisfeito

9 11 2007

“Quando Deus criou o primeiro homem, da atual humanidade, representado por Adão, proibiu-lhe comesse o fruto da árvore da noção do bem e do mal. Tendo-o desobedecido, por indução de Eva, o homem incorreu em pecado e, expulso do seu lar natal, foi condenado a conquistar o sustento com o suor do seu rosto. Mais do que o castigo do trabalho, que lhe seria, afinal, maravilhoso instrumento de progresso e aprimoramento espiritual, ficou como um estigma do homem a inquirição permanente e angustiante de sua mente, vivificada pela árvore da vida, cujo fruto comera. Assim, à fome de alimentos, que era necessário satisfazer, juntou-se a sede de conhecimentos, mais atenazante, mais premente, mais angustiosa, porque é a única que mantém o homem na sua dignidade de filho de Deus.”

Torrieri Guimarães. Trecho do prefácio do livro O Castelo, de Franz Kafka.