Previsão do Tempo no Brasil

21 06 2008

Trecho da entrevista de Gustavo Escobar, concedida a EcoAgência. Doutor em Meteorologia pela Universidade de Buenos Aires, Escobar é o coordenador do Grupo de Previsão de Tempo do CPTEC/INPE, em Cachoeira Paulista/SP, um dos maiores e mais bem equipados centros meteorológicos da América Latina, o mais importante do país. A entrevista foi concedida após Escobar ter ministrado o Curso de Meteorologia para Jornalistas, promovido pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Ele diz que informações sobre a previsão do tempo são apresentadas com muitas incorreções na mídia, e divide a responsabilidade entre quem informa e quem transmite a informação à população.

EcoAgência - Como está o nível da previsão meteorológica no Brasil hoje?
Gustavo Escobar - Está bem, a previsão meteorológica nos últimos tempos tem mostrado bons resultados, existem algumas limitações porém tem avançado bastante, em função do avanço dos modelos numéricos de previsão de tempo.
EcoAgência - Com o que se tem hoje no Brasil, qual é o grau de acerto que se tem nas previsões?
GE – O grau de acerto varia muito em função da região, da época do ano, mas em termos gerais, uma previsão para 24 horas chega a um acerto acima de 90%, mas conforme o prazo vai aumentando, por 48 ou 72 horas, o grau de acerto diminui, chegando, vamos supor, a acima de 85% para até 48 horas, e em torno de 75% ou 80% a até 72 horas. Mas esses resultados podem variar em função da região e época do ano, porque o Brasil tem um território muito grande e diferentes tipos de clima. Conforme a época, os modelos numéricos conseguem prever com certa facilidade, com prazo de tempo inclusive mais longo. Às vezes, na região Sudeste, por exemplo, no inverno, os modelos numéricos conseguem ter um grau de acerto superior a 80%, a partir de até 92 horas. Em outras vezes, os modelos numéricos não conseguem atingir valores muito altos, inclusive até 48 horas.
EcoAgência – A partir de 7 dias cai bastante o nível de acerto…
GE – Sim, a partir de 7 dias, a possibilidade de acerto cai, não só no Brasil, em todas as partes do mundo, porque isso depende dos valores numéricos de previsão do tempo, que a partir do sétimo dia ou oitavo dia começam a ter bastante dificuldade, a previsibilidade cai muito, e se observam muitas divergências no comportamento dos valores numéricos.
EcoAgência – As pessoas confundem bastante meteorologia e climatologia: qual é a diferença?
GE – A meteorologia está mais relacionada com o tempo, com o dia-a-dia, seria o estado que apresenta a atmosfera em determinado período de tempo, que pode ir de minutos a até uma semana, aproximadamente. Seria viver o tempo no dia-a-dia.  Já o clima seria uma síntese do tempo num período mais longo, representaria condições médias de atmosfera. Enquanto o meteorologista trabalha prevendo as condições atmosféricas de hoje até 5 ou 6 dias, em climatologia os meterologista que trabalham nessa área trabalham com períodos mais longos e com outras variáveis como, por exemplo, promedios, desvios, variáveis estatísticas.
EcoAgência – Na climatologia são escalas de tempo bem diferentes, dezenas, centenas, milhares de anos?
GE – São bem diferentes. De maneira correta, os estudos climatológicos deveriam considerar no mínimo períodos de 30 anos, porque o resultado tem que ser consistente, não adianta usar dados de períodos curtos, de 5 ou 6 anos, por exemplo e tirar uma conclusão que representaria a média climatológica de uma determinada região, não seria representativa. Por quê? Porque o clima também varia de forma natural, nem todos os verões são iguais e nem todos os invernos são iguais. Então, num período curto, se pegarmos invernos relativamente anômalos, mais frios, não estaria representando o comportamento normal de todos os invernos. Já num período de 30 anos, eu conseguiria representar verdadeiramente o comportamento (médio) dos invernos, em termos climatológicos, pois vou analisar um período em que vamos conseguir ver a variabilidade dos invernos. Mas às vezes o meteorologista (da área de climatologia) não tem tantos dados e precisa trabalhar com os dados que dispõe no momento, mas estatisticamente deveria trabalhar com períodos de pelo menos 30 anos.
EcoAgência – E para quem faz a previsão diária do tempo, quais são as limitações dos meteorologistas, atualmente, o que precisaria melhorar no Brasil?
GE – Para uma previsão de tempo ser boa, além de saber usar os modelos numéricos, a gente tem que saber observar bem a atmosfera, é preciso fazer primeiro um diagnóstico, diagnósticos feitos com dados, com observações coletadas através de estações meteorológicas. O que deveria melhorar no Brasil, na verdade em toda a América do Sul, seria aumentar a densidade de estações meteorológicas, para podermos conseguir observar melhor a atmosfera e a partir daí podermos prever melhor o comportamento do tempo, porque toda a previsão tem que partir de um bom diagnóstico, de uma boa análise. Precisamos de maior quantidade de estações meteorológicas ou de melhorar o sistema de informação. Um satélite meteorológico próprio, por exemplo, iria melhorar muito, porque iríamos observar a atmosfera como a gente quer, como os brasileiros queremos, direcionar este satélite para o continente sulamericano. Isto ajudaria muito.
EcoAgência – Mas nós temos dados de satélites…
GE – Temos, mas são de satélites norte-americanos ou de outros países. Com satélite próprio a gente pode aumentar a freqüência de observação, a cada cinco minutos, por exemplo, e observando melhor, vamos conseguir prever melhor, melhorar a observação da atmosfera. Na minha opinião, é o que vai fazer melhorar a previsão do tempo nos próximos anos, porque a parte dos modelos numéricos já está funcionando bem, estão bastante desenvolvidos, continua se aperfeiçoando mas eles já atingiram um patamar muito alto, agora temos que melhorar a maneira de observar atmosfera.
EcoAgência – Já existem planos para este satélite brasileiro?
GE – Os planos já existem, mas não saberia dizer para quando.
EcoAgência – Como o sr. vê a cobertura da imprensa em relação à meteorologia, qual a sua opinião sobre como os fatos são noticiados a este respeito?
GE – A imprensa tem um papel fundamental, divulgar a previsão do tempo e os temas relacionados com a meteorologia são muito importantes porque, além de prestar um serviço, nós meteorologistas também temos a obrigação de educar a população, e os jornalistas também, além de divulgar a previsão de tempo, devem também divulgar os conhecimentos sobre meteorologia. O papel da imprensa eu acho que é importante, mas há ainda alguns problemas entre os meteorologistas e jornalistas.
EcoAgência – Quais?
GE – Por exemplo, existem muitos termos que são termos técnicos, que às vezes nós meteorologistas temos dificuldade de colocar em uma linguagem simples, então, nesse caso, nós os meteorologistas temos que fazer um esforço de divulgar a previsão de tempo em uma linguagem simples, porém, os jornalistas têm que ajudar os meteorologistas também, e não alterar muito a previsão divulgada pelos meteorologistas. Há muitas ocasiões em que os meteorologistas divulgam uma previsão, os jornalistas não entendem os termos utilizados, e utilizam conceitos que estão errados e acabam alterando a previsão de tempo, mas é um problema de melhorarmos a nossa comunicação, procurarmos uma linguagem mais simples para divulgar a previsão de tempo e os jornalistas deveriam especializar-se um pouco nessa área, por que é uma área bem específica, isso eu acho que iremos resolver nos próximos tempos. Isso é muito importante porque pode atrapalhar a credibilidade da previsão feita pelo meteorologista, se sai errada a previsão, a nossa credibilidade começa a diminuir.
EcoAgência – Cursos como esse, de Meteorologia para Jornalistas, podem ajudar neste sentido?
GE – Sim, esta é a idéia, este curso que a gente fez vai ajudar primeiro a que o jornalista conheça as limitações da meteorologia, e isso é importante, porque conhecendo as limitações da meteorologia ele vai saber quais são as nossas dificuldades, que a previsão não é exata, vai compreender melhor os erros das previsões, podem perdoar nossos erros e transmitir à população as falhas que elas têm e alguns problemas que provavelmente nunca vamos poder resolver, porque a previsão nunca vai ser perfeita, isso é importante que a população saiba.
EcoAgência – Isso porque são muitas variáveis a considerar?
GE – Depende de vários fatores, primeiro da qualidade do modelo de previsão do tempo. Usamos modelos matemáticos e físicos que são alimentados de dados observados nas estações meteorológicas, que não estamos observando bem, precisam ser melhorados, e se a gente não observa bem, esse modelo já vai começar com um erro que vai se propagar no tempo e as previsões não vão ser boas. Existem outras limitações, não existe modelo numérico perfeito. Qualquer pequeno erro de uma variável meteorológica introduzido nesses modelos se propaga no tempo, e a previsão a partir de um determinado dia começa a se tornar divergente e com pouca previsibilidade, devido a uma propriedade da dinâmica da atmosfera que a partir de um determinado momento se comporta de maneira caótica.
EcoAgência – Sendo a meteorologia uma ciência com limitações, como o sr. disse, como tem sido a relação de vocês com a população e as cobranças com relação aos meteorologistas?
GE – As cobranças sempre existem, mais cobranças que parabenizações, isso acontece no mundo inteiro, as pessoas lembram quando as previsões erram, ninguém lembra quando a previsão é boa. Ninguém liga na segunda-feira para nos dizer ‘parabéns, a previsão do domingo foi boa’.
EcoAgência – E vocês têm acertado ou errado mais?
GE – A gente acerta e erra, temos uma boa porcentagem de acertos, mas as pessoas geralmente nos ligam para dizer ‘vocês erraram, fizemos um churrasco porque disseram que ia fazer sol e choveu’, mas já estamos acostumados. Isso vai melhorar quando os meteorologistas e os jornalistas consigamos divulgar as limitações que tem a meteorologia em termos de previsão de tempo, aí então as cobranças vão diminuir, como já acontece em outros países desenvolvidos. Os erros acontecem no mundo inteiro, mas as cobranças podem mudar conforme a educação da população com relação à previsão de tempo.
EcoAgência – No final do século XX e neste início de século XXI a meteorologia ganhou em importância para as pessoas?
GE – Ganhou, na realidade sempre foi importante, o que acontece agora é que a difusão das notícias relacionadas com fenômenos meteorológicos têm aumentado muito durante os últimos anos. Isto também vem acompanhado de um forte crescimento tecnológico. Hoje em dia, é bem mais fácil observar os fenômenos meteorológicos, já que muita gente dispõe de celulares que tiram fotos e registram os fenômenos. Também tem aumentado a população, então aumentou a probabilidade de que os fenômenos meteorológicos sejam observados. A tecnologia da meteorologia cresceu muito nos últimos anos, para você ter uma idéia, o maior computador que existe no mundo se utiliza para rodar modelos numéricos de previsão de tempo. Esse foi um avanço muito grande para nós meteorologistas previsores de tempo, ainda falta muito, mas a gente já gente já chegou quase a um teto em termos de previsibilidade, não vamos nunca conseguir prever com um grau de acerto acima de 70% depois do sétimo dia, porque os modelos numéricos não são perfeitos e a atmosfera, a partir de um determinado momento, se comporta de maneira caótica.

EcoAgência – E quanto ao aquecimento global, isso de alguma forma está afetando a previsão meteorológica do dia-a-dia, já se sente algum efeito do aquecimento global nisso?
GE – A gente sabe que está influenciando o comportamento do tempo, mas não tem uma relação direta com a previsão do tempo no dia-a-dia, porque as mudanças climáticas são observadas através de dados meteorológicos, e esses dados meteorológicos alimentam os modelos numéricos de previsão de tempo, ou seja, de alguma maneira eles vão incorporando essas informações, então não tem muita influência. São escalas de tempo e espaço diferentes, nós trabalhamos com escalas de espaço de cinco mil quilômetros, as mudanças climáticas trabalham com escalas de tempo e espaço bem maiores, que acabam influenciando indiretamente o dia-a-dia, mas o previsor de tempo não percebe isso na previsão de hoje para amanhã.
EcoAgência – É muito difícil trabalhar com a previsão do tempo em relação ao Rio Grande do Sul?
GE – É difícil porque a previsão do tempo aqui muda continuamente, o Rio Grande do Sul fica numa região de latitudes subtropicais ou latitudes médias, onde o tempo muda freqüentemente e os valores numéricos têm dificuldade em prever essas mudanças rápidas no tempo. É um desafio para todo o meteorologista fazer previsões nesta latitude, e o tempo muda muito e tem muita influência na vida das pessoas.
Fonte: EcoAgência/NEJRS.
Entrevista a Ulisses A. Nenê e Ilza Girardi, da EcoAgência/NEJRS. Porto Alegre.





10 06 2008

“É-nos possível estar sozinhos, desde que seja à espera de alguém.”

Gilbert Cesbron





Perfeição — mania, pretensão ou ilusão

7 05 2008


Perfection is an admirable goal, but it is the enemy of done.

Style - Ten Lessons in Clarity and Grace
Joseph M. Williams





21 04 2008

Intensifique o próprio esforço.
Sua vida será o que você fizer dela.

Chico Xavier
=)




Aquecimento global… cada vez pior

17 04 2008

“O nível do mar em todo o mundo tem subido constantemente nos últimos 80 anos. Isso é o que se sabe. Agora, um novo estudo aponta que o impacto do derretimento de geleiras é ainda pior do que se suspeitava. A pesquisa foi atrás de um indicador que não se havia levado em conta: o volume de água represada artificialmente. O resultado indica para uma influência ainda maior do aquecimento global no derretimento polar. O estudo foi publicado dia 13/3 no site da revista Science.

A elevação total no nível do mar no último século se deveu principalmente à combinação da expansão em volume da água nos oceanos e do derretimento de gelo em glaciares na Antártica e na Groenlândia, os dois fatores promovidos pelo aquecimento global.

Subtrair o efeito da expansão termal do aumento observável no nível do mar deveria dar uma boa estimativa da taxa de derretimento do gelo, mas essa equação deixa de fora um fator importante: a quantidade de água aprisionada em reservatórios. O novo estudo fecha essa lacuna.

Benjamin Chao e colegas da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade Central Nacional de Taiwan fizeram uma extensa análise do aprisionamento de água promovido pelo homem. Os cientistas calcularam o volume de água represado artificialmente desde 1900, em quase 30 mil reservatórios com capacidade nominal conhecida.

O resultado é o impressionante total de 10,8 mil quilômetros cúbicos, suficientes para reduzir a magnitude do nível global do mar em 3 centímetros.

Nos últimos 50 anos, pós-Segunda Guerra Mundial, quando aumentou grandemente o número de reservatórios, o estudo calculou a diminuição no nível global do mar em uma média de 0,55 milímetro por ano – estima-se que o aumento no nível global do mar tenha sido de cerca de 18 centímetros no século 20.

A conclusão é simples: se os reservatórios baixaram o nível do mar, a elevação promovida pelo derretimento de gelo no planeta foi maior do que se imaginava. Ou seja, o impacto do aquecimento global tem uma relevância ainda maior.

O artigo Impact of artificial reservoir water impoundment on global sea level, de Benjamin Chao e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.”

Agência FAPESP

Leia mais sobre aquecimento globla neste blog:
Trajetoria das Emissoes Globais de CO2 de Combustiveis Fosseis





Um pálido ponto azul

16 04 2008

Um filme de Carl Sagan.

Post descaradamente copiado de aLuada. Fazer o que?! a internet é assim…





Deseja algo que alivie? Então vá. Mame no seio da superstição.

16 04 2008

O que você faria se descobrisse que pode viver outras vidas, nesse mesmo planeta, porém com um início diferente, com outras possibilidades, diferentes oportunidades, e diferentes coincidências? Não seria incrível, cada um de nós ter um eterno direito ao erro, ao acerto, à redenção? Imagine, infinitas vidas, infinitas possibilidades de realizações, infinitas chances de recomeço. Não seria maravilhoso?

Ou seria terrível viver com essa certeza? Não seria como viver em um vídeo-game, com várias vidas, várias chances de continuar, simples, fácil, humano; como um vídeo-game?

Realmente, é reconfortante imaginar que todos os sofrimentos injustos desta vida serão recompensadas em uma outra. Sonhar que teremos a vida que sempre desejamos e “merecemos” (e que talvez nunca tenhamos , de fato, lutado para conquistar, para realizar). Mas tal sistema, no entanto, não seria o mais indulgente e benevolente com o ser humano, de todos os já supostos? Não seria essa a mais auto-piedosa das crenças, disfarçada de lógica, inteligência, evolução e superioridade?

Acreditar em outras chances de vidas talvez seja tão perigoso quanto fascinante. Se conformar com as situações indesejadas, adiar as realizações e experiências para a próxima etapa, estagnar na evolução pessoal a espera de uma oportunidade mais favorável ou justa - isso sim, deve ser merecedor do “inferno”.

Quer uma outra hipótese (apenas mais uma hipótese), talvez menos complacente com os erros dos homens, porém mais segura, mesmo no caso de se provar errada no Final?

Romanesco broccoli, fractal A sua Vida é única, é agora, e é um mero acaso do universo, uma mera possibilidade que aconteceu, em meio a um infinito de possibilidades. As chances de realizações nela também são infinitas. Vivemos mergulhados num oceano de possibilidades, e às vezes as ondas estão a nosso favor e nos levam para o destino que “queremos“, às vezes elas nos jogam para trás, às vezes nos empurram para o fundo. Mas no final, para onde você vai depende de uma única coisa: da sua reação. Quase tudo na vida depende de como você reage ao mundo, e de como você percebe e recebe as possibilidades, boas ou ruins, que se materializam constantemente ao seu redor. E cada reação, cada pensamento e cada imaginação influenciam os novos eventos que ocorrerão, as novas possibilidades que se concretizarão, simplesmente porque influenciam sua própria mente. As possibilidades estão borbulhando à sua volta, e a sua postura e atitude em relação à vida dirão quais deixarão de ser apenas possibilidades, quais serão vistas ou ignoradas, quais serão absorvidas ou rejeitadas. Imaginou?

Isso coloca quase toda a responsabilidade das nossas vidas nas nossas próprias mãos. Uma grande responsabilidade. À vezes frustrante, mas não menos frustrante do que imaginar nossas vidas nas mãos de super-humanos, e sendo julgadas ou conduzidas por coisas ou regras pseudo-superiores que nem mesmo conhecemos.

Essa hipótese também não explica todo o mecanismo por trás dela, nem as leis que regem todo o sistema. Mas essa é apenas uma hipótese, e os dados e experiências observados não permitem ir tão fundo na toca do coelho. Para mim, tentar ir além disso não seria mais do que elaborar uma estória de ficção, pelo menos por enquanto.

Encare sua insignificância, admita o nada que você é. Deixe de ser um ser infantil, e faça o bem não em troca de uma recompensa divina, mas porque tem consciência do bem que o bem te faz. Deixe de fazer o mal não por medo de uma punição dEle, o super Homem, mas por você mesmo. Viva por viver, pelo prazer, pelo sabor de realizar e conquistar coisas. Não espere a próxima chance, que você sequer sabe se irá existir. E se no final ela existir, ótimo. Você aproveitou esta aqui da melhor maneira possível, sem culpa, e acreditando apenas no que toda a informação que lhe é fornecida permite acreditar.


Créditos do post: Música Wasted Years, Filme Quando Nietzsche Chorou, o próprio Nietzsche, e mais um “inexplicável” lapso momentâneo da minha razão.





Humanidade, Destino, Paris By Night

19 03 2008

A humanidade realmente é impressionante, com seus grandes feitos, seus horrores, sua lógica às vezes ilógica, o capitalismo injusto (ou não), a civilização moderna em que ela , ou parte dela, se tornou. Apesar de todos os defeitos desse mundo, as coisas, bem ou mal, funcionam: todos os dias as pessoas desempenham seus papéis e fazem seus trabalhos, recursos são extraídos, produzidos ou transformados, a tecnologia avança cada vez mais, as sociedades aprendem e se modificam lenta e constantemente. E tudo isso impulsionado por uma quantidade incrivelmente grande de energia, gerada constantemente. A humanidade se desenvolve, mesmo aos trancos e barrancos, mesmo que o indivíduo muitas vezes não se desenvolva, mesmo que o indivíduo talvez passe toda sua existência sem avançar, sem sair do lugar. Ou ainda que ele regrida, intelectualmente, moralmente e socialmente. Mesmo assim, o conjunto se desenvolve. É um sistema fantástico, porque mesmo com suas partes funcionando mal, ou conflitando umas com as outras, o sistema caminha para frente. Pelo menos é o que me parece, e pelo menos por enquanto.

Esse é o tipo de sistema que eu gostaria de construir - aconteça o que acontecer, seja lá o que for que der errado, o “programa” cumpre seu papel, busca atingir o objetivo para o qual foi programado. Na verdade é exatamente assim que se esperaria que fosse um sistema projetado e codificado pelo Analista. A impressão que tenho é que nós, como indivíduos, temos realmente o tal livre arbítrio, e podemos fazer o que quisermos com nossa thread de vida. O sistema como um todo, no entanto, caminha invariavelmente para o destino que lhe foi programado, o sistema evolui, sabe-se lá até onde ou quando. E nesse caso, pensando no coletivo, no sistema, será que realmente temos a chance de escolha? Será que, mesmo o indivíduo tendo o controle sobre seu caminho, a humanidade também o tem?

Post inspirado pela música Why, de Joe Satriani e pela imagem de Paris, abaixo (linkada para alta resolução). Imagens noturnas de grandes cidades sempre me fazem viajar, e imaginar cada vida que está acontecendo nesse mar de luzes, num movimento constante. E músicas do Joe sempre me empolgam, me deixam confiante. Talvez por isso um post tão otimista em relação à humanidade. E talvez por minha incompetência em escrever esse post não diga nada com nada =)





In a world of magnets and miracles

25 02 2008

” A música voltou a tocar, a tocar minha mente, a disparar meu coração, a deprimir minha alma. E nessa depressão eu implodo minha prisão, a prisão de felicidade, paz, estagnação. A depressão cala o Melhor em mim, e abre espaço para o Pior renascer. O Pior que ama o mundo e tudo que há nele. Aquele Pior que sentia o vento da madrugada enquanto observava, da varanda, a rua silenciosa e seus postes de luzes fracas, e que viajava na melodia dos passos solitários e distantes. Aquele Pior que se deliciava com o balançar da velha árvore, que parecia também sentir o vento como ele.

Agora eu volto a ver as imagens que ninguém vê, a sentir as sensações que o vento provoca e que ninguém jamais sentiu, a ouvir a Música por trás dos sons e das músicas. Eu quase havia me esquecido de como era a sensação, como era sentir a vida assim, sentir esse mundo. Respirar o ar, se sentir sozinho mesmo no meio de uma multidão, sentir saudade de momentos que ainda não viveu, sentir falta de todos que ainda não se foram, e dos que ainda nem vieram. Sentir o coração não cabendo dentro do peito, a falta de ar, o êxtase, tudo isso provocado por uma simples brisa fresca, ou por um som de guitarra, ou pelo silêncio da madrugada fria.

Estou com medo de encontrar meu antigo eu. Medo que o antigo destrua o novo. Existem coisas que eu não suportaria perder. E se o velho destruir o novo? E se não sobrar nada de Melhor? Mas eu também não posso e não quero evitar isso. Eu quero tentar, sempre. Talvez o Melhor se una ao Pior. Talvez seja possível não ser nem um nem outro, ou ser um e outro, ao mesmo tempo. Ou talvez a música simplesmente acabe.”

 





20 02 2008
Estar em minoria, mesmo em minoria de um, não era sintoma de loucura. Havia verdade e havia mentira, e não se está louco porque se insiste em se agarrar à verdade mesmo contra o mundo todo.

1984, George Orwell